
A Constituição Federal, dentre os direitos fundamentais e suas garantias sociais traz, além de muitos outros, o Direito à Cultura e ao Lazer. No Brasil, o Direito à Cultura é previsto na Carta Magna como um direito fundamental do cidadão. Segundo ela, cabe ao Poder Público possibilitar efetivamente a todos a fruição dos direitos culturais, mediante a adoção de políticas públicas que promovam o acesso aos bens culturais, a proteção ao patrimônio cultural, o reconhecimento e proteção dos direitos de propriedade intelectual bem como o de livre expressão e criação. O direito à cultura é uma eficácia da garantia social ao lazer, uma vez que impõe como competência da União, Estados, Distrito Federal e Municípios, a proteção aos bens de valor histórico e artístico e a promoção ao meio de acesso à cultura, educação, à ciência, à tecnologia, à pesquisa e à inovação, não perdendo de vista o esporte, como um meio de lazer. Muito embora o lazer e a cultura, na prática, tenham se mostrado direitos relegados ao segundo plano em relação aos demais direitos fundamentais e sociais, eles tangenciam diversas áreas das garantias sociais e individuais, a exemplo do direito à educação, trabalho, segurança, proteção à infância, direitos autorais e artísticos. E portanto, a garantia social ao lazer é abarcada no próprio Direito à Cultura. O Direito da Cultura e Entretenimento pode ser traduzido então como um direito fundamental, como uma garantia social, onde é aplicado às atividades culturais e desportivas, com o objetivo de proporcionar segurança jurídica e garantir o respeito às leis no desenvolvimento das artes e dos esportes, bem como promover seu acesso à sociedade. Não há dúvidas que a Lei de Incentivo a Cultura (Lei Rouanet) e a Lei do Audiovisual (Lei nº 8.685/93) possibilitaram a amplitude das políticas públicas relacionadas à cultura, lazer e esporte, a exemplo do PRONAC - Programa Nacional de Apoio à Cultura. As leis surgiram com o escopo de incentivar o investimento em cultura em troca, a princípio, de incentivos fiscais, pois com o benefício no recolhimento do imposto a iniciativa privada se sentiria estimulada a patrocinar eventos culturais, uma vez que o patrocínio além de fomentar a cultura, valoriza a marca das empresas junto ao público. Com a Lei Rouanet surgiram três formas possíveis de incentivo no país: o Fundo Nacional de Cultura (FNC), os Fundos de Investimento Cultural e Artístico (Ficart) e o Incentivo a Projetos Culturais por meio de renúncia fiscal (Mecenato). Ocorre contudo, que com o tempo a lei foi ficando defasada, além de ter sido totalmente mitigada com a implementação de Medidas Provisórias e destinação de recursos divergentes daqueles do mercado artístico, cultural e desportivo. O surgimento da internet, equilíbrio na inflação, mudança do contexto artístico, cultural, político e econômico do Brasil para o mundo, fez como que o Ministério da Cultura, incentivasse uma mudança, surgindo então o Programa Nacional de Fomento e Incentivo à Cultura – Procultura (Projeto de Lei nº 6722/2010), que veio a alterar a Lei Rouanet. O apoio do Ministério da Cultura aos projetos culturais por meio da Lei Federal e também por editais para projetos específicos, lançados periodicamente, valoriza a diversidade e o acesso à cultura, como um direito de todos dentro da democracia e ampliando a liberdade de expressão. Hoje a cultura tornou-se uma economia estratégica no mundo, que depende não só do investimento público como do privado. O acesso à cultura e ao lazer está diretamente ligado a um novo ciclo de desenvolvimento do país: a universalização do acesso, diversidade cultural, desenvolvimento da economia e cultura. Não se perca de vista a realização da Copa e das Olimpíadas, por exemplo, que levam as empresas a injetarem um maior investimento nos atletas, assim como nos eventos culturais nas localidades onde são realizados. Em meio a esse turbilhão de direitos e garantias fundamentais, mesmo com o esforço do Governo nas diversas tentativas de implementação de políticas públicas, válido destacar que, embora levado a segundo plano, o Direito da Cultura e Entretenimento em verdade está saindo nesta zona de “sub-direito”, para se lançar como uma potencial garantia jurídica. Afora as políticas públicas e ações do governo, que podem ser exigidas a partir de uma Ação Popular, ou em um litígio casuístico, as ações de empresários como realização de eventos por produtores culturais no Brasil, também são alvos de lide, demandas judiciais tanto públicas como privadas. Festivais de artes, espetáculos, shows e festas, estão sujeitos a uma série de controles e restrições, o que ocasiona grande impacto urbanístico e ambiental, e por envolverem interesses de uma grande gama de categorias especiais, como, por exemplo, crianças, adolescentes, consumidores, estudantes, entre outras, exigem um amplo conhecimento nas diversas áreas jurídicas, além de abrangerem um grande número de leis esparsas das mais diversas naturezas; algumas locais, outras estaduais e nacionais, que têm que ser conhecidas por todos aqueles que se propõem e se dedicam à realização de eventos no país. Pode-se concluir que o Direito da Cultura e Entretenimento não só tem espaço no mundo jurídico como reina em diversas áreas que burocratizam e disciplinam a arte, cultura, lazer, o esporte, educação e quantos ramos forem necessários para se garantir a efetividade do exercício da garantia constitucional, seja a um cidadão comum, como ao empresário. Por Suzana Fortuna

Como parte do projeto Teatro no Terraço, o Centro Cultural Paschoal Carlos Magno recebe na sexta-feira, 16 de outubro. às 18h, Nada Sob Controle uma apresentação de circo-teatro que revisita e recria cenas clássicas da tradição circense brasileira. A partir da linguagem do picadeiro, o espetáculo dirigido por Jonathan Cericola atualiza reprises, entradas e esquetes que atravessaram gerações, preservando sua essência e colocando-as em diálogo com o público de hoje. Entre encontros, conflitos, improvisos e situações que inevitavelmente escapam do planejado, os artistas Jonathan Cericola, Alexandre Andrade, Caio Cericola e Miguel Nader transformam o erro, o jogo e a relação direta com a plateia em matéria-prima para a comédia. Serviço Nada Sob Controle - Teatro no Terraço Data: Sexta-feira, 16 de outubro de 2026 Horário: 18h Duração: 70 minutos Classsificação indicatriva: Livre Entrada gratuita Local: Centro Cultural Paschoal Carlos Magno End: Campo de São Bento - Entrada 2, pela Lopes Trovão

No dia 17, sábado, das 10h30 às 13h, a Niterói Livros, projeto editorial da Fundação de Arte de Niterói, em parceria com a Academia Fluminense de Letras, promove o Ciclo de Conferências Publicar Novas Histórias, a partir das reflexões sobre os temas, os suportes e os formatos que as publicações estão a tomar e o que elas apontam para o futuro da editoração. O evento acontece na sede da Academia Fluminense de Letras, no Centro de Niterói. Participam da mesa a professora Anélia Pietrani (UFRJ) e a pesquisadora Luiza Leite Ferreira, com a mediação da acadêmica Eneida Fortuna Barros (AFL). O evento é gratuito e emite certificados para os participantes. O Ciclo traz uma discussão essencial para o encaminhamento de novos suportes editoriais com o avanço tecnológico. "O evento pensou o passado, temas e segmentos essenciais da nossa formação enquanto povo, e como esses dados aparecem e são transformados pela editoração. Fechamos com a ideia de que conhecer as possibilidades de fazeres atuais pode auxiliar à afirmação de caminhos e a proposição de novas abordagens e práticas", afirma Jordão Pablo de Pão, diretor da Niterói Livros e coordenador do Ciclo de Conferências. A atividade reafirma o compromisso da Niterói Livros com reflexões e diálogos sobre o mercado editorial e a memória das atividades niteroienses. Serviço Sessão Publicar Novas Histórias Ciclo de Conferências Publicar a Gente Brasileira Data: Sábado, 17 de outubro de 2026 Horário: das 10h30 às 13h Evento Gratuito Local: Academia Fluminense de Letras - Biblioteca Parque End: Praça da República, sn. - Centro de Niterói

Após reforma da unidade, ambiente ganhou nova função e passou a abrigar a sede do grêmio estudantil e exposições de produções artísticas e culturais dos alunos Uma escola viva é aquela em que os estudantes não apenas aprendem, mas também criam, ocupam espaços e participam das decisões sobre o lugar onde estudam. Foi com esse espírito que alunos da Escola Municipal Paulo Freire, no Fonseca, em Niterói, inauguraram, nesta quarta-feira (14), o Centro Cultural Paulo Freire. O espaço funcionava anteriormente como refeitório da unidade e ficou ocioso após uma reforma que incluiu a construção de um novo ambiente, maior e mais adequado para a alimentação escolar. Agora, ganhou um novo significado: além de se tornar a sede do grêmio estudantil, será um espaço de portas abertas para exposições de produções artísticas, culturais e de conhecimento desenvolvidas pelos próprios estudantes. A inauguração aconteceu durante a Semana de Arte e Cultura da unidade, que reúne apresentações e diferentes manifestações artísticas e culturais protagonizadas por estudantes e professores. O secretário municipal de Educação de Niterói, Bira Marques, acompanhou a festividade e conheceu as produções que marcaram a abertura do novo espaço. “Quando os estudantes se reconhecem como protagonistas da escola, eles descobrem que também têm o poder de transformá-la. É isso que estamos vendo aqui. Um espaço que antes era utilizado como refeitório agora ganha uma nova vida pelas mãos dos próprios alunos. A escola pública precisa ser esse lugar de expressão, de participação, de produção de conhecimento e de cultura. É muito bonito ver nossos estudantes compreendendo, na prática, que a escola também é deles e que suas ideias têm força para transformar a realidade”, destacou o secretário. A primeira exposição do Centro Cultural reuniu trabalhos desenvolvidos nas aulas de Arte. Entre os destaques está a mostra fotográfica “A escola saiu às ruas”, projeto no qual estudantes levaram carteiras e cadeiras escolares para diferentes cenários urbanos, como museus, praças e centros comerciais. Nas imagens, espaços do cotidiano se transformam em salas de aula inusitadas, provocando reflexões sobre a relação entre educação e cidade. O espaço também recebeu pesquisas e produções dedicadas ao trabalho de mulheres fotógrafas, apresentando suas trajetórias, criações e os legados construídos por meio de suas lentes. As exposições revelam como a arte pode estimular a investigação, ampliar repertórios e oferecer aos estudantes novas maneiras de interpretar e representar o mundo. Para Emily Lima, diretora de Comunicação e Mídia do Grêmio Estudantil, o novo centro cultural representa a oportunidade de ampliar a voz dos estudantes e mostrar que eles também são protagonistas da construção do ambiente escolar. “Esse espaço nasceu de uma ideia que construímos com o professor de Artes. Conversamos, pensamos nas possibilidades e abraçamos a proposta. É muito legal unir o grêmio à arte, porque aqui a gente pode se reunir, compartilhar ideias e também mostrar tudo o que os estudantes são capazes de criar. É um espaço nosso, feito com a nossa participação e que vai estar aberto para toda a escola”, explicou Emily. O professor de Artes Eires Silveira, um dos responsáveis por incentivar a criação do centro cultural, explicou que a proposta surgiu a partir do desejo de dar uma nova função ao antigo refeitório, que ficou disponível após a reforma da unidade. A ideia, inicialmente voltada à realização de exposições, ganhou uma dimensão maior com a participação do grêmio estudantil. “Com a construção de um refeitório novo, mais moderno e mais bonito, vimos a oportunidade de transformar esse ambiente. A professora Denilce, também de Artes, teve a ideia de organizar exposições, e pensamos em ir além, criando um centro cultural que também fosse a sede do grêmio. Mais do que produzir fotografias, poesias e outros trabalhos artísticos, os estudantes precisam ter a oportunidade de apresentar suas criações e reconhecer o valor do que fazem. Eles participaram de todo o processo, da produção à montagem das exposições. Isso desenvolve a sensibilidade, amplia o olhar e fortalece a autonomia e o protagonismo de cada um”, afirmou o professor. Há duas décadas como professora na Escola Municipal Paulo Freire, a diretora Márcia Palmar acompanhou de perto as transformações da unidade e destacou que a inauguração do centro cultural representa mais um avanço na construção de uma escola que valoriza a participação dos estudantes. “Sou professora desta escola há 20 anos e acompanhei de perto toda a sua transformação. Hoje, temos uma escola renovada, que recebeu investimentos importantes, ampliou suas oportunidades de aprendizagem e oferece cada vez mais experiências por meio do esporte, da arte e da cultura. A inauguração deste espaço é mais um passo nessa trajetória. Queremos que nossos estudantes não sejam apenas espectadores, mas participantes ativos da vida escolar, com liberdade para criar, se expressar e tomar decisões. A escola precisa ser esse lugar de formação de jovens críticos, participativos e conscientes do papel que têm na sociedade”, ressaltou a diretora.

Três dos nomes mais emblemáticos da história da música brasileira, Milton Nascimento, Djavan e Luiz Melodia, terão suas obras reverenciadas no novo show do guitarrista, compositor e cantor Fábio Rizental, “Três Rosas Negras”, que estreia no palco do Acaso Cultural, em Botafogo, no dia 16 de outubro, sexta-feira, às 20h. Reconhecido por sua guitarra de linguagem contemporânea e virtuosismo aliado à musicalidade, Rizental propõe uma leitura original desse repertório, em linguagem de jazz rock fusion brasileiro, alternando momentos instrumentais e cantados, acompanhado por Alexandre Berreldi no contrabaixo e Léo Bandeira na bateria. Os seus arranjos preservam a essência das composições enquanto dialogam com o jazz, o rock, a improvisação e a música brasileira contemporânea, aproximando esse legado das novas gerações e reafirmando a importância desses autores para a cultura brasileira e para a música mundial. Serviço: Quando: 16 de outubro, sexta-feira, às 20h Onde: Acaso Cultural – Rua Vicente de Sousa, 16, Botafogo, Rio de Janeiro – RJ Ingressos: entre R$ 55 e R$ 200, no local ou antecipados pelo site Sympla: https://bileto.sympla.com.br/event/127017/d/414426

Em seu quinto show solo de stand-up comedy, comemorando 10 anos de carreira, Yuri Marçal sobe ao palco da Sala Nelson Pereira dos Santos, na quinta-feira, 15 de outubro, às 20h, para falar sobre um tema que atravessa toda a sua vida: a macumba. Filho de mãe de santo e criado dentro das religiões de matriz africana, Yuri transforma suas experiências pessoais em um espetáculo inédito, divertido e provocador. Entre histórias de infância, bastidores de terreiros, situações inusitadas da vida espiritual e encontros com todo tipo de fiel, o humorista compartilha sua visão sobre um universo que conhece desde que nasceu. Durante muito tempo, a palavra "macumbeiro" foi usada de forma pejorativa, como ofensa ou motivo de preconceito. Em "Macumbeiro", Yuri ressignifica esse termo e o transforma em motivo de orgulho, pertencimento e celebração de suas origens. No palco, o público embarca em uma viagem pela Umbanda, pelo Candomblé e pelas muitas curiosidades que cercam as religiões de matriz africana no imaginário popular brasileiro. Com seu olhar afiado e irreverente, Yuri fala sobre intolerância religiosa, preconceitos, fake news da internet, polêmicas das redes sociais e as confusões que surgem quando tradição, fé e mundo moderno se encontram. Sem perder a leveza e a gargalhada, o espetáculo apresenta um retrato divertido e humano de uma das maiores manifestações culturais e religiosas do Brasil. Um show para quem frequenta terreiro, para quem tem curiosidade sobre o assunto e para quem simplesmente gosta de ouvir boas histórias contadas por alguém que viveu tudo isso de dentro. "Macumbeiro" é uma celebração dos 10 anos de carreira de Yuri Marçal e, ao mesmo tempo, uma homenagem bem-humorada às suas origens, à sua família e a um universo que continua despertando fascínio, dúvidas, respeito e muitas histórias engraçadas. Serviço Yuri Marçal em "Macumbeiro" Data: Quinta-feira, 15 de outubro de 2026 Horário: 20h Duração: 90 min Classificação indicativa: 16 anos Ingresso: R$ 80,00 inteira | R$ 60,00, promocional 1kg de alimento Vendas pelo Fever, ou na bilheteria da Sala Nelson Pereira dos Santos Local: Sala Nelson Pereira dos Santos End: Av. Visconde do Rio Branco, 880, São Domingos - Niterói

Celebrando três décadas de trajetória ininterrupta na música instrumental brasileira, a Camerata de Violões apresenta no Theatro Municipal de Niterói, na quarta-feira, 14 de outubro, às 19h, o espetáculo "Camerata 30 Anos". Nascido em 1996 a partir de uma reunião de professores do Conservatório Brasileiro de Música, o grupo construiu uma história sólida dedicada ao repertório brasileiro - transitando com maestria da música de concerto à música popular, além de incorporar obras marcantes do repertório internacional. Uma das principais missões da Camerata ao longo de sua trajetória tem sido a ampliação do repertório para formações de violões, combinando a interpretação refinada com a criação de arranjos, adaptações e composições originais. Essa dedicação conquistou a admiração de grandes nomes da música global, incluindo compositores consagrados como Hermeto Pascoal e o mestre francês Roland Dyens, que escreveram peças dedicadas ao grupo. Com performances aclamadas em diversos estados do país, a trajetória do conjunto soma 4 CDs e 1 DVD gravados, além de uma prestigiada indicação ao Grammy em 2009. O show "Camerata 30 Anos" busca abarcar e homenagear todas as fases marcantes vivenciadas pelo grupo. Como destaque dessa celebração, o público poderá conferir a sonoridade atualizada do conjunto: a incorporação definitiva dos violões de 7 e 8 cordas - iniciada no projeto do DVD Cordas Clássicas, proporcionando uma tessitura ampliada e infinitas possibilidades expressivas. Mais do que um concerto, o espetáculo é uma grande celebração e uma declaração de amor ao violão enquanto instrumento profundamente brasileiro e universal. Serviço Camerata 30 Anos - Camerata de Violões Data: Quarta-feira, 14 de outubro de 2026 Horário: 19h Evento Gratuito | Retirada de 1 ingresso por pessoa na bilheteria, 1h antes do início do espetáculo. Classificação indicativa: Livre Duração: 70 min Local: Theatro Municipal de Niterói End: Rua XV de Novembro, 35, Centro - Niterói Site: www.tmjc.com.br

Três dos nomes mais emblemáticos da história da música brasileira, Milton Nascimento, Djavan e Luiz Melodia, terão suas obras reverenciadas no novo show do guitarrista, compositor e cantor Fábio Rizental, “Três Rosas Negras”, que estreia no palco do Acaso Cultural, em Botafogo, no dia 16 de outubro, sexta-feira, às 20h. Reconhecido por sua guitarra de linguagem contemporânea e virtuosismo aliado à musicalidade, Rizental propõe uma leitura original desse repertório, em linguagem de jazz rock fusion brasileiro, alternando momentos instrumentais e cantados, acompanhado por Alexandre Berreldi no contrabaixo e Léo Bandeira na bateria. Os seus arranjos preservam a essência das composições enquanto dialogam com o jazz, o rock, a improvisação e a música brasileira contemporânea, aproximando esse legado das novas gerações e reafirmando a importância desses autores para a cultura brasileira e para a música mundial. Serviço: Quando: 16 de outubro, sexta-feira, às 20h Onde: Acaso Cultural – Rua Vicente de Sousa, 16, Botafogo, Rio de Janeiro – RJ Ingressos: entre R$ 55 e R$ 200, no local ou antecipados pelo site Sympla: https://bileto.sympla.com.br/event/127017/d/414426

Aos 10 anos, Oyárónké Gino Ivanir dos Santos já tem uma história para contar, e um livro para compartilhar com o mundo. Autora e ilustradora de As Aventuras da Boneca Oyá, a menina transforma as aventuras de sua boneca em literatura e mostra como a imaginação infantil pode abrir caminhos para a valorização da identidade negra, da cultura afro-brasileira e da educação antirracista. O lançamento da obra ocorreu às vésperas do Dia das Crianças, celebrado em 12 de outubro, e destacou a importância de incentivar crianças a ler, escrever e reconhecer suas próprias histórias como parte da diversidade cultural brasileira. Filha da professora doutora Mariana Gino e do professor doutor babalawô Ivanir dos Santos, ambos ativistas do movimento negro brasileiro e referências na promoção da educação antirracista e no combate à intolerância religiosa, Oyárónké encontrou na escrita criativa, por meio da Casa dos Sambistinhas, projeto produzido pelo Movimento das Mulheres Sambistas, uma nova maneira de brincar e expressar sua criatividade. Carinhosamente chamada de Oyá, a boneca que dá nome ao livro é companheira de brincadeiras, viagens e descobertas. A partir dessa relação afetiva, Oyárónké criou uma narrativa divertida e sensível, que reúne situações do cotidiano, experiências em família e referências culturais. Narrada em primeira pessoa, a obra acompanha as viagens, as brincadeiras e as peripécias de Oyázinha. Em uma das passagens, quando perde os dois bracinhos, a boneca precisa ser levada ao “SUS da Nininha” para ser costurada novamente. Em outras aventuras, passeia pelo Rio de Janeiro, por Aparecida do Norte e por São Gonçalo, vai ao cinema e participa até de uma aula de boxe. A narrativa também apresenta momentos da rotina da menina, como as orações antes de dormir, a leitura de livros e gibis e a convivência familiar. Entre os personagens que fazem parte desse universo estão o coelho Sansão, melhor amigo da boneca, e outras bonecas negras que integram a coleção de Oyárónké. Por trás do humor e das aventuras, o livro aborda temas como identidade, pertencimento, religiosidade e representatividade negra. A obra apresenta o significado do nome Oyárónké e sua relação com a cultura iorubá e com a orixá Oyá, valorizando as culturas africana e afro-brasileira de maneira acessível ao público infantil. A diversidade aparece, assim, não como um conteúdo distante da realidade das crianças, mas como parte das brincadeiras, dos afetos e das experiências cotidianas. A publicação reforça que a educação antirracista pode começar na infância, por meio de referências positivas, do acesso à literatura e do reconhecimento das próprias raízes. A publicação integra uma iniciativa da Casa dos Sambistinhas que reuniu 18 crianças: nove em setembro e nove em outubro. Cada participante recebeu 50 exemplares, em uma experiência voltada não apenas à formação de leitores, mas também ao incentivo à produção literária desde cedo. A proposta foi reconhecida pelo professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e pesquisador do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) Flávio Gomes, que destacou a importância da iniciativa para estimular a leitura e a escrita entre crianças e ampliar o alcance de uma agenda antirracista e plural. "Extraordinária iniciativa e fomenta leitores e mais ainda escritores na mais tenra idade. Mostra que é possível sim ampliar para todas as gerações uma agenda antiracista e plural de identidades e gênero. O livro de Oyáronké mostra um potencial de sensibilidades autorais fantásticas". O lançamento também contou com a presença de Helena Theodoro, referência intelectual na luta por espaço para mulheres negras na academia brasileira. Sua trajetória representa uma geração que abriu caminhos para ampliar a participação de mulheres negras nos espaços de produção de conhecimento. A iniciativa recebeu ainda uma mensagem de André Leonardo Chevitarese, professor titular da UFRJ e autor de 27 livros, que celebrou a estreia literária de Oyárónké - “Continue nessa linda trajetória, sendo exemplo para tantas outras crianças, despertando nelas o amor pelos livros.” Oyárónké mostra que uma história pode nascer de experiências simples e afetivas: uma boneca querida, uma viagem em família, uma costura improvisada ou uma brincadeira que ganha novos significados quando transformada em palavras. Ao ocupar o lugar de autora e ilustradora, a menina também amplia as possibilidades de representação na literatura infantil. Sua experiência evidencia a importância de permitir que crianças negras se reconheçam não apenas como personagens das histórias que leem, mas também como criadoras de narrativas próprias. Em As Aventuras da Boneca Oyá, a infância é apresentada como um espaço de imaginação, pertencimento e construção de identidade. A obra reforça uma mensagem central: formar leitores é fundamental, mas incentivar crianças a escrever suas próprias histórias também significa ampliar suas possibilidades de expressão e participação cultural.

Na cerimônia realizada no tradicional Cine Odeon, no centro do Rio, a premiação reuniu produções que abordam diferentes experiências sociais e culturais brasileiras. A Margem do Rio, de Enock Carvalho e Matheus Farias, recebeu o prêmio de melhor longa-metragem de ficção, enquanto Elza, de Eryk Rocha, foi escolhido como melhor longa-metragem documentário. Filho do cineasta Glauber Rocha, Eryk Rocha recebeu o Redentor pelo documentário, que teve sua estreia mundial no festival. Segundo o diretor, o projeto atravessou anos de trabalho e incluiu oito anos de filmagens com a cantora. A produção acompanha a trajetória de Elza Soares a partir de sua própria voz, articulando memórias pessoais, música e imagens de arquivo. “É um filme que fala sobre a mulher brasileira, a mulher negra brasileira, fala sobre o Brasil, sobre a luta”, disse Eryk. O diretor também destacou a proximidade construída com a família de Elza durante a realização do longa. Segundo ele, o acesso à intimidade da artista representou uma responsabilidade e, ao mesmo tempo, um dos maiores presentes de sua trajetória profissional. O prêmio de melhor ator foi para Victor di Marco, por London, filme que teve estreia mundial no Festival de Veneza, em setembro, antes de chegar ao Festival do Rio. Na categoria de melhor atriz, o júri concedeu o prêmio ex aequo — quando há vencedoras empatadas — a Isabel Teixeira, por Diário do Fogo, e Grace Passô, por A Professora de Francês. As duas atrizes têm trajetórias ligadas ao teatro e à construção de personagens em diferentes linguagens. O reconhecimento compartilhado foi um dos destaques da lista de vencedores da Première Brasil. Pedro Goifman recebeu o prêmio de melhor ator coadjuvante por A Professora de Francês. Já Renna Costa, Artia e Ísis Broken dividiram o prêmio de melhor atriz coadjuvante por A Margem do Rio, que também foi reconhecido em categorias técnicas, incluindo fotografia e som. Na direção, Gabriel Martins venceu por Vicentina Pede Desculpas, que também recebeu o prêmio de melhor roteiro. Camila Valença foi premiada pela direção de documentário por Cão Sem Plumas. Principais premiados do Festival do Rio 2026 Júri Oficial — Première Brasil • Melhor longa-metragem de ficção: A Margem do Rio, de Enock Carvalho e Matheus Farias. • Melhor longa-metragem documentário: Elza, de Eryk Rocha. • Melhor curta-metragem: Santo, de Maria Luísa Alves. • Melhor direção de ficção: Gabriel Martins, por Vicentina Pede Desculpas. • Melhor direção de documentário: Camila Valença, por Cão Sem Plumas. • Melhor ator: Victor di Marco, por London. • Melhor atriz: Isabel Teixeira, por Diário do Fogo, e Grace Passô, por A Professora de Francês. • Melhor ator coadjuvante: Pedro Goifman, por A Professora de Francês. • Melhor atriz coadjuvante: Renna Costa, Artia e Ísis Broken, por A Margem do Rio. • Melhor roteiro: Vicentina Pede Desculpas, de Gabriel Martins. • Melhor fotografia: Luciana Baseggio, por A Margem do Rio. • Melhor direção de arte: Ana Paula Cardoso, por Funk. • Melhor figurino: Samy Sill, por London. • Melhor som: Moabe Filho, Guma Farias, Daniel Turini e João Victor Coura, por A Margem do Rio. • Melhor trilha sonora original: Florencia Di Concilio, por A Professora de Francês. • Prêmio Especial do Júri: O Filho da Puta, de Erica Maradona, Tania Anaya, Otto Guerra e Sávio Leite. Voto popular • Melhor longa-metragem de ficção: Vicentina Pede Desculpas, de Gabriel Martins. • Melhor longa-metragem documentário: Fui Olhar Você Dormir, de Anna Azevedo.

Na segunda-feira, 12 de outubro, a partir das 17h30, o projeto Palco Niterói Música, na Calçada do Theatro Municipal de Niterói, recebe dois talentosos artistas de nossa cidade para shows gratuitos e imperdíveis. Às 17h30, Fred Tavares se apresenta ao público com um tributo a Emílio Santiago. Emiliano é um espetáculo musical concebido para celebrar e preservar a obra de Emílio Santiago, um dos intérpretes mais relevantes da música popular brasileira. No palco, Fred Tavares reúne clássicos consagrados da carreira de Emílio, apresentados em arranjos elegantes, que valorizam a musicalidade, a letra e a memória afetiva do público. Acompanha Fred, uma banda formada por vários músicos que integraram a banda de Emílio, garantindo autenticidade, excelência técnica e fidelidade estética ao repertório apresentado. Às 19h, é a vez de Cláudio Vieira subir ao palco com sua banda. Músico instrumentista, Claudio se apaixonou pela música aos 8 anos de idade, inicialmente, estudando piano. Ao ver seu pai tocando violão, gostou do som e resolveu trocar de instrumento. Em 'Baile Instrumental', o nome de seu mais recente projeto, o atista passeia pelas vertentes e estilos da música Instrumental brasileira e mundial. E também toca cavaquinho em seus shows, tocando temas e improvisos. Serviço Palco Niterói Música com Fred Tavares e Cláudio Vieira Data: Segunda-feira, 12 de outubro de 2026 Horário: A partir das 17h30 Evento Gratuito Classificação indicativa: Livre Local: Calçada do Theatro Municipal de Niterói End: Rua XV de Novembro, 35 - Centro

O Centro Cultural Justiça Federal (CCJF) abre, no dia 13 de outubro de 2026, a exposição “As Palavras”, da artista e poeta visual carioca Suely Farhi. Com curadoria de Luiza Interlenghi, a mostra reunirá dez instalações, produzidas desde 1994 até hoje, incluindo obras inéditas, que trazem como tema o universo feminino. Esta será a primeira vez que a artista reúne trabalhos com essa temática. “Suely Farhi investiga o limiar entre palavra, imagem e espaço – a linguagem transmuta a realidade. As palavras – substantivo feminino plural – desenham o invisível e aderem aos objetos para iluminar a força da mulher”, escreve a curadora Luiza Interlenghi no texto sobre a concepção da exposição. Um dos destaques de “As Palavras” será a obra inédita “Elogios às marias-sem-vergonha”, composta por vasos de vidro transparentes e sobrepostos, com tamanhos e formatos variados, cheios d’água, onde estão serigrafados adjetivos positivos sobre as mulheres. “Será preciso movimentar o corpo, como uma dança, para poder ler todas as palavras”, conta a artista, que por meio de uma pesquisa sobre a flor maria-sem-vergonha, selecionou seus pontos fortes e também os pontos fracos, que foram valorados positivamente através de sinônimos. “O vapor sai dessa água e vai irradiando os elogios, fazendo um contágio invisível, uma contaminação pela palavra no ar”, ressalta. Também inédita e produzida este ano, a obra “Suspiros alfabéticos” traz 26 folhas de papel A2, em um painel de 10 metros de comprimento, cada uma com um desenho feito com uma letra do alfabeto. Duas dobras bem sutis nos papéis emolduram as letras e remetem à forma da virilha. “É uma alusão ao corpo feminino, mas o papel branco também lembra as estátuas de mármore. As letras trazem o som, o suspiro, uma sensação interna”, diz Suely Farhi. Além das obras inéditas, outras mais antigas foram atualizadas. “A temática principal do meu trabalho são esses pontos de tensão, de questionamento, de pensamento. Eu nem notava se estava fazendo algo que era feminino ou não”, afirma a artista. Sobre a atualização de algumas obras, ela diz: “Acho que esse milênio está ensinando a ver muito claramente algumas questões. Não quer dizer que eu não fosse feminista, mas a gente vai sabendo e vendo mais claramente certas coisas, inclusive até do meu próprio passado, coisas que vivi sem falar”, completa. Serviço: Exposição “As Palavras”, de Suely Farhi Abertura: 13 de outubro de 2026, às 17h Período de visitação: de 14 de outubro a 22 de novembro de 2026 Centro Cultural Justiça Federal Av. Rio Branco, 241 – Centro - Rio de Janeiro – RJ (21) 3261.2550 De terça a domingo, das 11h às 19h Entrada gratuita

Como fazer uma imagem persistir em meio ao turbilhão visual do mundo contemporâneo? Como devolver duração a uma imagem em uma cultura com excesso de estímulos visuais? É a partir dessas questões que Ana Calzavara constrói "Desenredo", sua segunda exposição individual na Maneco Müller : Multiplo Galeria, que abre no dia 8 de outubro, no Leblon. Fruto de uma intensa temporada de trabalho em Lisboa, a série inédita de pinturas a óleo aprofunda a investigação poética da artista sobre a experiência do olhar e a forma como apreendemos as imagens em um cotidiano atravessado por telas e fluxos incessantes de informação. Partindo dessa fragmentação, as pinturas de Calzavara buscam justamente o contrário: captar do espectador um olhar mais duradouro e concentrado, no qual a atenção seja, de alguma forma, recuperada. "Desenredo" reúne conjuntos de paisagens, cenas que captaram o olhar da artista ao longo de uma temporada de dois meses na capital portuguesa. As pinturas aparecem em grupos, em conjuntos, como padrões, mas fragmentados, em pedaços que se misturam, se mesclam e se contaminam. Nada é linear, nem óbvio. A imagem existe numa espécie de jogo de aparecimento-desaparecimento, presença-ausência, permanência-mudança, clareza-ilegibilidade, continuidade-descontinuidade, que é como vemos o mundo hoje ("estamos cegos de tanto ver"). Outra característica da obra dela, presente nesses trabalhos, é o desejo de reter a imagem efêmera e incontrolável, aquilo que some no instante seguinte, o que é quase impossível de capturar, seja do mundo físico ou virtual. O texto crítico da mostra é de Pedro Duarte. Em "Substâncias de sombra", primeiras pinturas da série, raios de sol atravessam os ramos de uma árvore, mas o que vemos são apenas silhuetas. Em "Brilhos", o que vai para a tela é a bioluminescência das microalgas e plânctons da foz do Tejo, a luz mágica e fugidia na ondulação. Em "Riscos", é o pisca-pisca dos vagalumes numa floresta em Sintra. "Dados" traz padrões de azulejos do século XVI em combinação com QR Codes, como códigos digitais impregnados de significados, mas sujos, desbotados, desgastados pelo tempo, incompatíveis com a tecnologia de leitura de dados. Em "Estilhaços", ela reproduz aquelas imagens indecifráveis que surgem nas telas no momento de um curto-circuito de dados, os "glitches", remetendo ao estado de "burnout" da nossa atenção. Em "Véu e cinzas", vemos uma floresta calcinada, encoberta de fumaça, numa grande tela de 1,50 X 2,00 m, montada a partir de pequenas telas coladas, como um painel de azulejos. SERVIÇO Título: Ana Calzavara I Desenredo Texto crítico: Pedro Duarte Período da exposição: de 8 de outubro até 21 de novembro. Horário: das 18h às 21h Local: Maneco Müller : Multiplo Galeria Horário: de segunda a sexta, das 10h às 18h30 (sábados, sob agendamento)End: Rua Dias Ferreira, 417/206 - Leblon – Rio de Janeiro Entrada franca www.multiploespacoarte.com.br


