16 de outubro de 2026
É rara, talvez única, a parceria entre um trompetista e um sanfoneiro na história da música instrumental brasileira. Ambos os instrumentos, trompete e sanfona, por sua vez, não costumam, ainda, ser tão presentes nas rodas de choro Brasil afora. E é essa inovação que o público de Niterói poderá acompanhar na sexta-feira, 16 de outubro, às 20h, no Theatro Municipal de Niterói. "Se for para pensar em uma estatística, eu calculo uma média de 1 trompetista para cada 30 rodas de choro no Rio de Janeiro", arrisca Silvério Pontes. Quanto aos sanfoneiros, "talvez uma média de 1 bom acordeonista para cada 15 rodas", pondera o músico. O artista pode falar com conhecimento de causa. Pois participa dos encontros musicais de instrumentistas desde os anos 1980, quando eram populares as rodas de choro nos subúrbios, em botecos de Olaria, Leopoldina, Ramos, Penha, entre vários outros. "Era raríssimo encontrar um sanfoneiro nesses tempos, e ainda hoje não é tão comum assim", reitera Silvério. A particularidade do encontro entre Silvério Pontes e Marcelo Caldi possui outros matizes, a começar pela diferença de gerações: Silvério, que completou 65 anos de idade em 2025, é exatamente 20 anos mais velho do que Marcelo. O trompetista nasceu no interior fluminense, em Laje do Muriaé, um pequeno município de menos de 10 mil habitantes, localizado no extremo noroeste do Estado, e teve sua formação musical nas tradicionais bandas de música, onde tocava ao lado do pai. Já Marcelo Caldi é filho da urbanidade carioca, nascido na capital, e deu seus primeiros passos na música por meio da formação clássica, influência direta dos pais, ambos pianistas de concerto. Silvério caminhou pela soul music nos anos 1980, sendo integrante da antológica Banda Vitória Régia, que acompanhou Tim Maia, e até hoje participa de formações da música pop, como Cidade Negra. Com a sanfona no peito, Marcelo, por sua vez, circulou pelas rodas de forró até chegar nas mais importantes orquestras sinfônicas do Brasil, atuando como solista, arranjador e cantor. Embora advindos de origens artísticas, culturais, geracionais e sociais distintas, ambos os rios confluíram para o oceano do choro e seus subgêneros, que são o pilar da música instrumental brasileira. Na verdade, as águas do choro estiveram presentes, desde sempre, na formação de ambos, e o encontro de Silvério Pontes e Marcelo Caldi representa uma espécie de volta para casa, ao mesmo tempo uma reverência e uma renovação das nossas tradições culturais mais basilares. "Inventos" é o segundo álbum de composições inéditas da dupla, com dez novas peças, e vem consolidar uma parceria iniciada há mais de cinco anos. "O nosso encontro quer demonstrar como o choro está se atualizando nos dias de hoje", almeja Marcelo. "Não é um estilo que está no passado, pelo contrário, está vivo, cada vez mais presente na formação musical de instrumentistas e nos ouvidos das pessoas", afirma. Um dos diferenciais do novo trabalho está tanto na diversidade de estilos, passeando entre choro, maxixe, samba, bolero, forró, choro-tango, marcha-rancho, entre outros, como na instrumentação, que dialoga com os regionais típicos de choro e a música de gafieira. A grandiosidade de "Inventos" se reflete ainda nas participações especiais, com alguns dos nomes mais importantes da música instrumental do Rio de Janeiro, como Alexandre Caldi (sax), Antônio Guerra (piano), Aquiles Moraes (trompete), Carlos Malta (flauta), Dani Spielman (sax), Dirceu Leite (flauta e clarineta), Guto Wirtti (contrabaixo), Luís Barcelos (cavaco e bandolim), Marcos Suzano (percussão), Priscila Rato (violino), Rogério Caetano (violão de 7) e Vinícius Magalhães (violão de 6). Serviço Data: Sexta-feira, 16 de outubro de 2026 Horário: 20h Classificação indicativa: Livre Duração: 80min Crédito da foto: Cyntia C. Santos Ingressos: R$ 80,00 (inteira) Vendas pelo Fever, ou na bilheteria do Theatro Local: Theatro Municipal de Niterói End: Rua XV de Novembro, 35, Centro - Niterói Site: www.tmjc.com.br